Bayard Boiteux

Notícia

Bayard Do Coutto Boiteux: Nepal, turismo e tremor

Integrantes da equipe de resgate enviada pela Espanha trabalham com cães na busca por possíveis sobreviventes que estejam presos sob escombros de prédios destruídos pelo terremoto em Katmandu. Um tremor de magnitude 7,8 atingiu o país no sábado (25). No interior, moradores famintos e desesperados correm para os helicópteros que trazem alimentos e água, pedindo para serem retirados para outras áreas

Gostaria que o mundo rapidamente mostrasse sua cara e de alguma forma entendesse que não estão salvando apenas um país, mas um patrimônio da humanidade

Rio – Tenho grande apreço pelo Nepal e seu povo guerreiro, que sofreu muito nas mãos da ditadura e que passa por um clima de destruição e tristeza extrema em função do terremoto, que afetou oito milhões — mais de um quarto da população. O país asiático, que tem uma das maiores densidades demográficas do mundo, vive basicamente do turismo e da agricultura.

Visitei o Nepal duas vezes. A última foi em 2011, quando tive a oportunidade de vivenciar uma nova era de democracia e, como budista, a beleza de um santuário, que tem nos monastérios e seus monges uma paz celestial que encontramos em poucos locais. Cerca de 500 mil nepaleses trabalham direta ou indiretamente com o turismo, recebendo 800 mil pessoas por ano.

Embora a infraestrutura seja precária, tanto das estradas como do Aeroporto de Katmandu — onde homens e mulheres embarcam por portas diferentes e que pode receber poucos aviões —, não me lembro de ter visto um país tão colorido com gente amável e feliz. Tudo é muito barato, e os serviços hoteleiros e de guias são de ótima qualidade. Há uma estimativa de que os prejuízos podem chegar à metade do PIB, ou 20 bilhões de dólares.

A solidariedade internacional surge rapidamente, sobretudo por parte de países que possuem turistas e que querem mostrar ajuda a seus nacionais. Conversei ontem com um amigo nepalês que me disse que os estrangeiros que passavam férias estão ajudando de uma maneira nunca vista. E que o Nepal será eternamente grato.

Outrossim, quase 80% das áreas atingidas têm no turismo sua principal fonte de sobrevivência, o que deixa ainda mais desesperadas as autoridades locais, que não estavam preparadas para uma calamidade assim. Em meio a tantas notícias desencontradas, gostaria que o mundo rapidamente mostrasse sua cara e de alguma forma entendesse que não estão salvando apenas um país, mas um patrimônio da humanidade, com um povo cheio de felicidade.

Bayard Do Coutto Boiteux é presidente do site Consultoria em Turismo

Fonte: O DIA

http://odia.ig.com.br/noticia/opiniao/2015-05-03/bayard-do-coutto-boiteux-nepal-turismo-e-tremor.html